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ARQUITETURA NO METAVERSO

ARQUITETURA NO METAVERSO

Primeiramente precisamos definir o que é Metaverso, que com certeza é a palavra da moda em termo de tecnologia atualmente. Metaverso pode ser usado para indicar um modelo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais dos usuários. É um espaço coletivo e virtual compartilhado, como se fosse uma extensão e a sucessão do que conhecemos hoje como internet. Você pode ter uma ideia de como seria o Metaverso a partir de filmes como Matrix e alguns episódios de Black Mirror.

 

Onde a arquitetura entra nesta história?

Hoje o mundo todo experimenta uma rápida e grande mudança da economia real para a economia digital, onde a integração das duas foi fortemente impulsionada desde o início da pandemia global. Moedas totalmente digitais e descentralizadas eram impensáveis até poucas décadas atrás e hoje já são bastante comuns e difundidas.

Adentrando ao ramo de arquitetura, design, decoração e construção, vimos vários empreendimentos de material de construção fecharem as portas, ao mesmo tempo em que algumas marcas lançavam suas coleções de produtos em videogames. Proprietários de imóveis comerciais viram a demanda se esvaziar, com a popularização do trabalho remoto, enquanto empresas de videoconferência obtiveram enorme sucesso. Querendo ou não, a crise pandêmica mudou nossa cultura de trabalho, acelerou o crescimento do e-commerce e transformou a forma como as empresas operam. Alguns dos pioneiros na construção de metaversos são jogos, moda, Hollywood e criptografia. Não há outra opção a não ser entrar no novo jogo, e a arquitetura também entrará forte nesse mundo, ou então, não sobreviverá.

 

NFT: A ascensão dos ativos digitais

 

Metaverso

 

Os itens digitais já representam um mercado superior a US$ 10 bilhões e, para que os itens digitais tenham valor real e duradouro, eles devem existir de forma independente de qualquer entidade que possa decidir remover ou desativar o item. Assim, surge o NFT (tokens não fungíveis), a aplicação mais recente em tecnologia blockchain. “Não fungível” significa que é único e não pode ser substituído por outro. O valor percebido e reconhecido dos NFTs está então na certificação da criação do item digital como “único”. E essa criação digital pode ser qualquer coisa, incluindo arquitetura digital. Em 2021, a primeira casa digital em NFT foi vendida por um valor superior a meio milhão de dólares. Isso é mais do que o preço de uma casa real e até pequenas mansões espalhadas pelo Brasil. A artista responsável pela criação foi Krista Kim.

Esta é uma tendência no mundo da criptografia, onde as pessoas passariam a conviver no Metaverso de forma coletiva, participar de eventos, festas, praticar esportes e além disso, exibir suas posses, como coleções de artes de decoração, imóveis e outros itens. Um pedaço de terreno virtual no mundo online baseado em blockchain foi vendido por quase 1 milhão de dólares recentemente. Isso pode parecer estúpido e fora da realidade para muitas pessoas, ainda pelo fato de tudo ser novidade, mas é definitivamente um espaço interessante e possivelmente lucrativo para designers e arquitetos alavancarem suas habilidades de design no mundo físico e estendê-las ao mundo virtual.

 

Tour virtual

Uma das propostas do Metaverso, é replicar o mundo real no mundo digital. Que tal seria poder simular a nova decoração da sua casa instantaneamente, enquanto você anda pelo Metaverso? Através de sistemas de realidade virtual, poderíamos simular nossas próprias casas, como se estivéssemos mesmo andando por ela naquele momento, podendo ter sensações táteis, térmicas e de conforto. Em outras palavras, poderíamos testar diversos tipos de arquitetura e decoração, como apenas uma escolha dentro do mundo virtual, e essa escolha pudesse ser capaz de  fazermos sentir como seria realmente a sensação de textura de determinado material, a sensação visual da decoração e até de temperatura de um possível aquecedor ou ar condicionado.

 

Mudança do modelo de negócios: de consultor a criador de conteúdo

As coisas mudam constantemente, os trabalhos de arquiteto não são mais os mesmos de antigamente. Hoje os arquitetos devem atuar como gerentes de projeto colaborando com consultores, engenheiros, empreiteiros, clientes e outros profissionais para fazer um projeto acontecer. Em vez de fornecer serviços individuais, os arquitetos poderiam reinventar o modelo de negócios para fornecer soluções inteligentes que possam ser escalonadas, soluções que possam ser reutilizadas e para beneficiar milhões de usuários, não apenas um cliente.

O metaverso precisa de conteúdo massivo para entreter os usuários. Precisamos de experiências como parques de diversões virtuais, cinemas virtuais, concertos virtuais, cassinos virtuais, escolas virtuais, conferências virtuais, e qualquer coisa que você puder imaginar. A demanda por diversos serviços de arquitetura e design passará a ser também digital. Projetos exclusivos apoiados em NFT poderão ser criados para pessoas que gostam de colecionar ativos únicos. Os arquitetos também podem construir ativos digitais exclusivos como cidades, edifícios, móveis, esculturas, nuvens de pontos, texturas etc., e vendê-los diversas vezes para serem utilizados nos mundos virtuais, jogos e filmes. O papel de arquiteto será totalmente reinventado.

Embora a arquitetura, atualmente, seja um negócio relativamente local, as pessoas poderão contratar profissionais para criar produtos e serviços digitais em todo o mundo. Pode ser difícil encontrar um profissional que replique exatamente aquilo que você deseja próximo a você, mas dessa forma globalizada poderá encontrar o melhor profissional, ou até mesmo mais de um ao mesmo tempo que irão executar o seu projeto.

Não importa o que faça, o arquiteto terá de pensar como um criador de conteúdo, potencializando seus esforços para um crescimento exponencial, encontrar seus caminhos na selva digital para se comercializar em diferentes plataformas, alcançar os usuários em potencial com conteúdo de qualidade, mantendo-os engajados.

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